Entrevista com o Iggor Cavalera

26 mar, 2013

O gosto do Iggor Cavalera pela música eletrônica já era antigo e após a saída do Sepultura, a criação do MixHell pareceu surgir de forma bem natural. O projeto eletrônico feito em parceria com a sua esposa, Laima Leyton, não só deu certo, como agora eles acomodaram mais um integrante, Max Blum (contrabaixista). Mas a mudança não parou por aí: acrescentaram voz, bateria e, como dito antes, o contrabaixo.

O novo conceito do MixHell em tocar música eletrônica ao vivo, com banda, foi na verdade um processo orgânico, segundo Iggor. O trio irá lançar em abril o primeiro álbum nessa nova configuração, Spaces (que teve coprodução e mixagem do renomado DJ brasileiro Gui Borato), e promete tocar muita coisa dele no festival Lollapalooza, no próximo dia 31 de março.

O zbra.fm conversou por telefone com o Iggor que, entre outras coisas, falou sobre a nova formação do MixHell, do projeto paralelo com seu irmão Max, Cavalera Conspiracy, de futuras parcerias e também da sua participação na programação infantil do festival. Confira!

zbra.fmComo surgiu a ideia do projeto eletrônico MixHell?

Iggor: O MixHell surgiu há uns 6 anos, meio que por acidente. Tinha acabado o Sepultura, aí comecei a ser chamado para discotecar em alguns lugares, comecei a trocar ideia com a Laima (esposa e parceira de Iggor no MixHell)… O projeto foi crescendo, começamos a fazer remixes e agora tem uma banda.

zbra.fmRecentemente o Mixhell, antes um duo, encarou o desafio de fazer música eletrônica ao vivo, com voz, bateria e contrabaixo. A que deve essa mudança? De onde surgiu o desejo de mudar o conceito do Mixhell?

 Iggor: Na verdade fui tudo muito orgânico. A gente foi sentindo o que estava acontecendo, somando algumas coisas. Sentimos a necessidade de gerar energia no projeto, de misturar tudo.

zbra.fmVocês se apresentaram no festival Ultra Music Festival, em SP, em 2011. E agora irão tocar no Lollapalooza. O que mudou de lá para cá (fora o fato da entrada do Max Blum)?

Iggor: A evolução de discotecar em si. O formato bateria e DJ já existia, mas agora vai ser a música voltada para banda e não só para pista de dança. Agora temos música que serve tanto para tocar quanto para a dançar. Não tem só o feedback da pista de dança.

zbra.fmVocês tocam muito mais fora do que no Brasil. Por quê? É uma estratégia?

Iggor:  Não. Culturalmente não sei qual o motivo, mas a verdade é que acontece mais lá, mais shows lá fora. Agora vem para cá. Não tem ou teve um plano, é natural, talvez porque o conceito é aceito primeiro lá. Mas trabalhos para tocar no Brasil.

zbra.fmVocês estão para lançar em abril o álbum Spaces, que tem coprodução e mixagem do DJ Gui Borato. Me fale um pouco sobre o novo disco.

Iggor:  Tem alguns anos que eu, a Laima e o Max (Max Blum, contrabaixista) já estamos trabalhando no disco Spaces. Aí convidados o Gui para cuidar da parte de mixagem, para ser o mentor, pois respeitamos pra caramba o trabalho dele que, além de DJ, manda muito bem nesta parte.

O disco é para pista,  tem elementos  eletrônicos, tem acústico também… Deu para viajar bastante.

zbra.fmO Mixhell se apresenta no próximo dia 31, no Lollapalooza. O que vocês esperam da apresentação? E o que o público pode esperar de vocês?

Iggor:  Vai ser um show que vai ter muita coisa do disco novo. Também estamos preparando umas surpresas, cover do Pixies, do Chemical Brothers. Vai ser  como um DJ set, no-stop, não para nenhum segundo. Vai ser contínuo. Uma hora inteira.

zbra.fmQuais são os próximos planos? Sairão em turnê?  Divulgação do novo álbum?

Iggor: Provavelmente faremos algumas coisas aqui, mas a agenda já está apertada lá fora. Estamos tentando segurar para fazer mais coisa aqui, mas tá difícil. O ano vai ser inteiro de muito trabalho, tanto aqui como lá fora.

zbra.fmIggor, você também tem a banda formada junto com o seu irmão Max, a Cavalera Conspiracy. O último álbum foi lançado em 2011, Blunt Force Trauma. Tem alguma novidade sobre o grupo? Algum lançamento previsto?

Iggor: Nós estamos com o plano de fazer uma coisa menor, um EP, que deve sair ainda este ano. O James Murphy (ex-LCD Soundsystem) agora está trabalhando só como produtor e conversou comigo, disse que gostaria de fazer a produção do Cavalera. Eu e o meu irmão já fizemos a base, ela está pronta. Dessa vez será só eu e ele: voz, guitarra e bateria.

zbra.fm – Você também vai participar da Oficina de Bateria, que vai acontecer na área infantil do Lollapalooza, o Kidzapalooza. Desconfio que vai ter muito marmanjo querendo levar o filho para aprender a tocar bateria, não?!

Iggor:  É verdade (risos…). Vai aparecer um pessoal levando os filhos para matar a saudade… Foi um convite muito legal. Vamos fazer umas ações, vai ter workshop e a criançada vai poder produzir um beat, gravar as batidas e depois levar para casa, inclusive em formato de ringtone.

 

 

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