Edição do festival Planeta Terra no Jockey agrada público

23 out, 2012

O festival Planeta Terra, que chegou a sua sexta edição neste último sábado (20), expandiu, mudou de endereço e agradou. Mesmo sofrendo uma baixa importante (Kasabian cancelou a apresentação um dia antes do evento), o festival não fez feio e conseguiu passar com louvor no quesito metamorfose.

Tá certo que o estilo e essência do Planeta Terra continuam iguais: line-up mais indie, público idem, porém sem deixar de ser “vendável”. Parece bobeira, mas é um desafio e tanto um festival com identidade tão própria, como o Planeta Terra, aumentar de tamanho e continuar igual, mesmo porque, é justamente o sentimento intimista e de aconchego que fizeram a fama do festival, no melhor estilo “para poucos e bons”.

A mudança, na verdade, foi sutil (como havia de ser) e mais psicológica do que física, já que o aumento do publico foi de apenas 10.000 (saindo dos 20 para os 30 mil). O antigo endereço (Playcenter) não existe mais, mas mesmo que o extinto parque de diversões ainda estivesse aberto, o local já não suportaria mais a crescente demanda do festival. Perde-se um pouco do lúdico, mas a graça continua e ganha-se em espaço, conforto e a possibilidade de fazer algo maior. O Planeta Terra fez direitinho, cresceu de forma orgânica e sem colocar “o carro na frente dos bois”. Uma coisa de cada vez… ainda há espaço para crescer um pouco mais, mas calma, pois o público mais sensível não aprovaria se fosse de outro jeito. O mais bacana é que, fora alguns problemas de som, a organização estava ótima, pouquíssimas filas (só banheiros em momentos de pico). Dito isso…

Mallu e Best Coast

Mallu

O tempo cinza espantou o público no começo do festival, mas na metade do evento, o Jockey Club estava cheio, porém não abarrotado. Cheguei no fim da apresentação da sensível Mallu. Fiquei sabendo que ela teve problemas com o som e até chorou no palco principal, mas ao final, a jovem cantora foi super aplaudida…

A dupla californiana Best Coast

Best Coast no Sonora Main Stage

Os californianos do Best Coast entraram no Sonora Main Stage quando ainda estava chovendo, mas no meio da apresentação a garoa chata parou e até o sol – tímido – resolveu aparecer. A dupla, que toca um indie pop ensolarado, não fez feio, apesar do público mais quietinho, e acabou tocando mais do que eu esperava. A duração do show foi estendida, já que com a falta do Kasabian, as bandas menores tiveram a oportunidade de aumentar a sua apresentação. Sorte do público que pode conferir, mesmo que só por curiosidade, o trabalho do Best Coast, que já está em seu segundo álbum. Confesso que era uma das bandas que estava mais a fim de ver. Músicas como “Our Deal”, “Crazy for You”, “The Only Place”, “When the Sun Don’t Shine”, “Goodbey”, entre outras, fizeram parte do setlist. O grupo não é uma sumidade musical, mas toca canções gostosas de serem ouvidas, trouxeram graça ao festival. Gostei!

The Maccabees

The Maccabees

The Maccabees no Claro Indie Stage

Outra banda interessante e que acabou tocando cedo foi a inglesa The Maccabees. O som, igualmente indie, mas mais consistente e com pegada mais rock, fez o público, também curioso, se render. Apesar de pouco conhecidos no Brasil, o grupo tem carreira e fama consideráveis na Inglaterra, também, não é para menos. O som agrada a gregos e troianos. A mistura de referências musicais (todas voltadas ao rock), a simpatia do vocalista Orlando Weeks, junto com a competência genuína da banda, tornaram The Maccabees um dos shows mais interessantes da sexta edição do festival.

Azealia Banks

Azealia Banks

Tive que optar por quais atrações gostaria de ver e, em vez de Suede, preferi The Maccabees e a encrenqueira do momento, Azealia Banks, já que a moça cancelou de última hora a sua apresentação no Bestival (festival inglês que o zbra.fm cobriu). A cantora norte-americana foi responsável por trazer o hip-hop ao Planeta Terra. Confesso que conferi apenas as três primeiras músicas da moça (por conta do Garbage que começaria logo depois) e, claro, os 10 minutos iniciais do seu parceiro DJ Cosmo (simpático, arriscou até uma frase completa em português).

DJ Cosmo

Hip-hop definitivamente não é o meu som favorito, mas a jovem rapper conseguiu despertar a minha atenção. Tocando músicas do seu mais recente mixtape Fantasea, lançado gratuitamente em julho, a moça dançou e atraiu boa parte do público para o Claro Indie Stage. Com seu enorme e fake cabelo ruivo, Azealia era a atração mais esperada pelos moderninhos do festival.

Garbage

Shirley Manson, vocal do Garbage

Infelizmente, não puder ver os meninos do The Drums. Tive que fazer uma opção e, analisando friamente, a possibilidade de ver o Garbage novamente era infinitamente menor que o The Drums. Doeu, mas passou logo que os primeiros acordes do Garbage soaram no palco principal.

Garbage no Sonora Main Stage

Liderado pela charmosíssima vocalista Shirley Manson e pelo baterista Butch Vig, o grupo era a atração mais esperada da noite, por esta pessoa que vos escreve. Impossível não pensar no Garbage como uma das bandas mais importantes da década de 90 em termos de música alternativa. A sua importância musical, principalmente por ter uma vocalista feminina em um cenário liderado por homens, a faz por si só ser atração obrigatória de ser vista e ouvida. Não me arrependo nem um pouco. Show impecável, voz impecável, postura impecável e, claro, som impecável.

Shirley Manson

Afetação e exagero, principalmente por parte das vocalistas femininas para tentarem se sobressair em relação ao domínio masculino, fazem elas, às vezes, parecem mais caricaturas do que cantoras de fato, mas a escocesa Shirley está longe disso… Ela é a prova de que talento e bom senso já são o suficiente. Discursos não faltaram no show de quase uma hora. “Estamos maravilhados de poder estar nesse país incrível”, disse a cantora, antes de finalizar falando o quanto estava feliz por ver outros grupos que ela também tanto gosta: “A melhor coisa de se estar em uma banda é conhecer de perto os artistas que você ama.”

Músicas como “Milk”, “Special”, “Push it”, “Why Do You Love Me” e “Only Happy When it Rains” fizeram parte do setlist que, a meu ver, poderia ter sido bem maior. O público que conferiu o show pela primeira vez no Brasil, agradeceria.

Kings of Leon

Kings of Leon

Apesar de já tê-los visto anteriormente, preferi o Kings ao Gossip. O show foi morno para frio e aparentando estarem fazendo nada mais do que a obrigação (tocar somente), a qualidade da banda é inquestionável. O vocalista Caleb Followill até que tentou ser simpático, mas tudo muito mecânico e nem se quer um sorriso. Tudo bem que ele não anda na melhor fase da vida (teve problemas com bebida e drogas e ficou afastado um bom tempo dos palcos), mas Kings já foi bem melhor.

Caleb Followill, vocal do Kings

O público, lógico, percebeu essa falta de empatia, mas também não estava lá para fazer amizade com a banda, queria ouvir os hits favoritos e ouviu. Um pouco antes do final do show, o público começou a ir embora para o outro palco, pois, afinal de contas, não tem coisa mais broxante do que ver uma banda tocando sem o menor tesão. Mas, Kings, mesmo ruim é bom.

Parabéns ao Planeta Terra que continua sendo, na minha humilde opinião, o melhor festival de música do Brasil. E que venha o próximo.

Veja como foi  o Planeta Terra 2012, em fotos.

 

 

 

 

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